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Os benefícios da inteligência artificial na administração pública

Do atendimento ao cidadão à gestão documental, a IA pode libertar tempo às equipas para o que precisa de pessoas. Veja onde pode ajudar, que cuidados exige e como dar os primeiros passos.

Ilustração abstrata de um edifício público com colunas, desenhado com linhas de luz e ligado por uma rede de pontos azuis e ciano.

Quem trabalha na administração pública conhece bem o cenário: pedidos que chegam por vários canais, documentos espalhados por diferentes sistemas, regulamentos que mudam e equipas que nem sempre crescem ao ritmo do trabalho. A inteligência artificial (IA) não resolve tudo, mas pode libertar tempo para o que realmente precisa de pessoas: ouvir, decidir e acompanhar.

Neste artigo apresentamos, de forma simples, onde a IA pode trazer benefícios ao serviço público, que cuidados exige e como dar os primeiros passos.

Porquê agora?

Durante muitos anos, a IA exigia projetos longos, grandes volumes de dados organizados e equipas especializadas. Os modelos de linguagem mais recentes mudaram este quadro: compreendem pedidos escritos em linguagem corrente, leem documentos extensos e redigem respostas claras. Quando ligados de forma segura aos sistemas que um serviço já usa, podem ajudar no trabalho diário sem obrigar a substituir esses sistemas.

Ao mesmo tempo, Portugal e a União Europeia criaram orientações para que esta adoção seja feita com cuidado. A Agência para a Modernização Administrativa (AMA) publicou um guia para uma IA ética, transparente e responsável na administração pública, e a Agenda Nacional de Inteligência Artificial define prioridades para o País até 2030.

Seis áreas onde a IA pode ajudar

Grelha com seis áreas de benefício da IA na administração pública: atendimento, gestão documental, apoio à decisão, acessibilidade, processos internos e transparência.
A IA pode apoiar o trabalho em várias frentes, sempre com supervisão humana.

1. Atendimento ao cidadão

Um assistente pode responder a qualquer hora às perguntas mais frequentes, como horários, documentos necessários ou o estado de um pedido, e encaminhar os casos mais complexos para a pessoa certa, já com um resumo da situação. O cidadão espera menos e o técnico recebe o caso mais bem preparado.

2. Gestão documental

Ofícios, requerimentos, pareceres e regulamentos acumulam-se todos os dias. A IA pode classificar documentos à entrada, extrair a informação essencial, encontrar processos semelhantes e preparar resumos, poupando horas de leitura e de pesquisa.

3. Apoio à decisão

Antes de decidir, é preciso reunir informação de várias fontes. Um assistente pode juntar os dados relevantes, comparar com casos anteriores e apresentar um rascunho fundamentado, indicando de onde vem cada informação. A decisão continua a ser de quem tem competência para a tomar.

4. Acessibilidade e inclusão

A IA facilita a reescrita de textos administrativos em linguagem clara, a tradução para outras línguas e a conversão entre texto e voz. Isto ajuda pessoas com deficiência, pessoas idosas e residentes estrangeiros a compreender e a usar os serviços públicos.

5. Processos internos

Muito do tempo das equipas é gasto em tarefas repetitivas: preencher formulários a partir de outros documentos, preparar relatórios periódicos ou verificar se um pedido está completo. A IA pode preparar estas tarefas para que a pessoa apenas reveja e valide.

6. Transparência

Relatórios, dados abertos e respostas a pedidos de informação podem ser preparados de forma mais rápida e clara, tornando a atividade pública mais fácil de acompanhar pelos cidadãos.

Um exemplo: responder a um pedido de informação

Imagine um pedido de informação sobre um apoio público que chega por e-mail. Hoje, alguém tem de o ler, perceber de que assunto se trata, procurar o regulamento aplicável, consultar o processo noutro sistema e escrever a resposta. Com um assistente de IA ligado a esses sistemas, o percurso pode ser diferente.

Comparação entre dois percursos de resposta a um pedido de informação. Hoje: pedido, triagem manual, pesquisa em vários sistemas, redação e resposta. Com IA: pedido, triagem assistida, rascunho com fontes, validação humana e resposta.
A IA prepara o trabalho; a validação e a resposta final continuam a ser de uma pessoa.

O assistente identifica o assunto, recolhe o regulamento e a informação do processo e propõe um rascunho com as fontes indicadas. O técnico revê, corrige se for preciso e envia. Nada sai sem aprovação humana.

O objetivo não é substituir quem trabalha no serviço público, mas dar-lhe mais tempo para as pessoas.

Exemplos de utilização e o papel das pessoas

UtilizaçãoBenefício esperadoPapel das pessoas
Triagem de pedidos e e-mailsEncaminhamento mais rápido para o serviço certoConfirmar a classificação dos casos duvidosos
Resumo de processos e documentosMenos tempo de leitura antes de decidirConsultar o original sempre que necessário
Rascunho de respostas e ofíciosRespostas mais rápidas e consistentesRever, ajustar e assinar
Pesquisa em regulamentos internosEncontrar a regra aplicável em segundosValidar a interpretação
Linguagem clara e traduçãoServiços mais acessíveis a todosGarantir o rigor jurídico do texto

Os cuidados necessários

O sector público tem responsabilidades especiais: lida com dados pessoais, toma decisões que afetam direitos e tem de prestar contas. Por isso, a adoção da IA deve seguir alguns cuidados:

  • Supervisão humana: a IA prepara e sugere, mas as decisões que afetam cidadãos são tomadas por pessoas.

  • Proteção de dados: respeitar o RGPD, usar apenas os dados necessários e garantir que o processamento é feito na União Europeia.

  • Transparência: informar os cidadãos quando interagem com um sistema de IA e explicar como funciona.

  • Equidade: verificar que o sistema não trata de forma diferente grupos de pessoas sem justificação.

  • Cumprimento da lei: o Regulamento Europeu da IA considera de risco elevado algumas utilizações, como as que influenciam o acesso a prestações públicas, que terão regras mais exigentes.

  • Segurança: tratar os sistemas de IA como qualquer outro sistema crítico, com acessos controlados e registo de todas as ações.

Como começar

  1. Escolha um processo concreto e com volume, como a triagem de pedidos ou a pesquisa em regulamentos.

  2. Envolva as equipas desde o início. São elas que conhecem os problemas reais e que vão usar a solução.

  3. Comece pequeno, com uma prova de conceito limitada no tempo e com objetivos claros.

  4. Meça e ajuste, ouvindo quem usa o sistema antes de o alargar a outros serviços.

  5. Invista na formação, para que todos saibam usar a IA com confiança e espírito crítico.

Um serviço público mais próximo

Bem utilizada, a IA pode tornar a administração pública mais rápida, mais acessível e mais transparente, sem perder o que a distingue: a responsabilidade perante os cidadãos. A chave está em começar com cuidado, manter as pessoas no centro e escolher soluções que se integrem nos sistemas já existentes.

Na Datapoint, trabalhamos desde 2017 com a administração pública regional em sistemas de informação. Hoje, ajudamos a ligar a IA a esses sistemas com aprovação humana nas ações importantes e com processamento na União Europeia, através dos nossos parceiros.

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