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A evolução da inteligência artificial

Da pergunta de Alan Turing aos assistentes que usamos hoje: um percurso simples pelos mais de setenta anos de história da inteligência artificial, com os seus avanços, desilusões e recomeços.

Ilustração abstrata de pontos de luz que, da esquerda para a direita, crescem e se ligam numa rede cada vez mais densa, em tons de azul e ciano.

Hoje falamos com assistentes virtuais, traduzimos textos em segundos e recebemos sugestões de escrita no telemóvel. Parece que a inteligência artificial (IA) chegou de repente, mas a verdade é que tem mais de setenta anos de história, feita de grandes promessas, desilusões e recomeços. Conhecer esse percurso ajuda a perceber o que a IA consegue realmente fazer, o que ainda não consegue e porque é que tanta coisa mudou nos últimos anos.

O que é, afinal, a inteligência artificial?

De forma simples, a inteligência artificial é a área da informática que procura pôr as máquinas a realizar tarefas que, quando feitas por pessoas, exigem inteligência: compreender linguagem, reconhecer imagens, tomar decisões ou aprender com a experiência.

Não se trata de uma única tecnologia, mas de uma família de técnicas que foi crescendo ao longo do tempo. Uma boa forma de a imaginar é como um conjunto de círculos, uns dentro dos outros.

Diagrama de quatro círculos encaixados: inteligência artificial contém a aprendizagem automática, que contém a aprendizagem profunda, que contém a IA generativa.
A IA generativa, de que tanto se fala hoje, é apenas a camada mais recente de uma área muito mais vasta.
  • Inteligência artificial é o círculo maior: qualquer sistema que imite capacidades humanas, incluindo programas baseados em regras escritas à mão.

  • Aprendizagem automática (machine learning) reúne os sistemas que aprendem padrões a partir de exemplos, em vez de seguirem apenas regras fixas.

  • Aprendizagem profunda (deep learning) usa redes neuronais com muitas camadas, inspiradas de forma muito livre no cérebro, e é a base do reconhecimento de voz e de imagem atual.

  • IA generativa é capaz de produzir conteúdo novo, como texto, imagens ou áudio, a partir de um pedido escrito em linguagem corrente.

Os primeiros passos: pode uma máquina pensar?

Em 1950, o matemático britânico Alan Turing publicou um artigo em que fazia uma pergunta provocadora: podem as máquinas pensar? Para fugir a discussões filosóficas, propôs um teste prático, hoje conhecido como «teste de Turing»: se uma pessoa, a conversar por escrito, não conseguir distinguir uma máquina de um ser humano, então a máquina comporta-se de forma inteligente.

Seis anos depois, em 1956, um grupo de investigadores reuniu-se no Dartmouth College, nos Estados Unidos, e usou pela primeira vez a expressão «inteligência artificial» para dar nome a esta nova área. O otimismo era enorme: acreditava-se que, numa geração, as máquinas teriam capacidades semelhantes às humanas.

Nas décadas seguintes surgiram programas capazes de resolver problemas de lógica, jogar damas ou manter conversas simples. Em 1966, o ELIZA simulava um terapeuta através de regras que reformulavam as frases do utilizador como perguntas. Era um truque engenhoso, mas não havia qualquer compreensão real por trás.

Cronologia de 1950 a 2024 com os principais marcos da inteligência artificial: o teste de Turing, a conferência de Dartmouth, o ELIZA, os invernos da IA, o Deep Blue, a aprendizagem profunda, o AlphaGo, a arquitetura transformer, o ChatGPT e o regulamento europeu da IA.
Mais de setenta anos de inteligência artificial, entre avanços e períodos de desilusão.

Os «invernos» da IA

As promessas iniciais revelaram-se demasiado ambiciosas. Os computadores da época tinham pouca memória e pouca capacidade de cálculo, e havia muito poucos dados digitais disponíveis. Quando os resultados não chegaram ao ritmo anunciado, o financiamento diminuiu e o entusiasmo arrefeceu. Estes períodos, nos anos 70 e de novo no final dos anos 80, ficaram conhecidos como os «invernos da IA».

Entre esses invernos houve uma primavera: os sistemas periciais. Eram programas que reuniam centenas de regras do tipo «se acontecer isto, então faz aquilo», escritas com a ajuda de especialistas, por exemplo para apoiar diagnósticos ou configurar equipamentos. Funcionavam bem em problemas muito delimitados, mas eram caros de manter e falhavam perante situações que ninguém tinha previsto.

A grande mudança não foi ensinar regras às máquinas, mas deixá-las aprender com exemplos.

Aprender com os dados

A partir dos anos 90, a abordagem mudou. Em vez de tentar escrever todas as regras à mão, os investigadores passaram a criar sistemas que encontram padrões em grandes quantidades de exemplos. É assim que funciona um filtro de spam: depois de ver milhares de mensagens classificadas, aprende sozinho a reconhecer as indesejadas.

Em 1997, o computador Deep Blue, da IBM, venceu o campeão mundial de xadrez Garry Kasparov. Foi um momento simbólico, embora o Deep Blue ganhasse sobretudo pela força bruta, avaliando milhões de jogadas por segundo.

Três ingredientes, que amadureceram ao mesmo tempo, abriram caminho à fase seguinte:

  1. Dados: a internet, os telemóveis e a digitalização de serviços criaram quantidades de informação nunca antes vistas.

  2. Capacidade de cálculo: os processadores gráficos, criados para os videojogos, revelaram-se ideais para treinar redes neuronais.

  3. Melhores algoritmos: novas técnicas permitiram treinar redes com muitas camadas de forma eficaz.

A revolução da aprendizagem profunda

Em 2012, uma rede neuronal chamada AlexNet venceu por larga margem uma competição internacional de reconhecimento de imagens. Foi o sinal de que a aprendizagem profunda funcionava na prática. Em poucos anos, o reconhecimento de voz, a tradução automática e a identificação de objetos em fotografias melhoraram de forma impressionante.

Em 2016, o AlphaGo, da DeepMind, venceu um dos melhores jogadores do mundo de Go, um jogo de tabuleiro com tantas jogadas possíveis que a força bruta não chega. O sistema aprendeu estudando partidas e jogando milhões de vezes contra si próprio.

A era da IA generativa

Em 2017, investigadores da Google apresentaram a arquitetura transformer, uma nova forma de as redes neuronais processarem texto, prestando atenção à relação entre todas as palavras de uma frase. Esta ideia está na base dos chamados grandes modelos de linguagem, treinados com enormes quantidades de texto para prever, palavra a palavra, a continuação mais provável.

Em novembro de 2022, o lançamento do ChatGPT pôs esta tecnologia nas mãos do grande público. Pela primeira vez, qualquer pessoa podia pedir, em linguagem corrente, que uma máquina resumisse um documento, redigisse um e-mail ou explicasse um conceito. Seguiram-se muitos outros assistentes e modelos, capazes de trabalhar também com imagens, som e documentos.

Mais recentemente, a atenção virou-se para sistemas que não se limitam a responder: consultam informação, usam ferramentas e executam passos de uma tarefa, os chamados agentes de IA. Para que o façam com segurança, é preciso ligá-los aos sistemas certos, com regras claras sobre o que podem consultar e o que exige aprovação humana.

Uma visão de conjunto

PeríodoIdeia principalExemplo
1950–1970Raciocínio simbólico e regras lógicasProgramas de lógica e o ELIZA
1970–1990Conhecimento de especialistas codificado em regrasSistemas periciais
1990–2010Aprendizagem automática a partir de dadosFiltros de spam, Deep Blue
2010–2020Aprendizagem profunda com redes neuronaisReconhecimento de imagem e voz, AlphaGo
2020–hojeIA generativa e agentesAssistentes de conversação, resumo e redação de documentos

O que a IA ainda não é

Apesar dos avanços, convém manter os pés no chão. Os modelos atuais são muito bons a encontrar padrões e a produzir texto convincente, mas:

  • Podem enganar-se com confiança. Às vezes inventam factos ou referências, um fenómeno conhecido como «alucinação». Por isso, as respostas importantes devem ser verificadas.

  • Não compreendem o mundo como nós. Não têm experiência, intenções nem bom senso no sentido humano.

  • Refletem os dados com que foram treinados, incluindo eventuais enviesamentos e lacunas.

É também por isso que a regulação ganhou importância. Em 2024, a União Europeia aprovou o Regulamento da Inteligência Artificial, o primeiro quadro legal abrangente do mundo para esta tecnologia, que define regras proporcionais ao risco de cada utilização.

E agora?

A história da IA mostra que o progresso raramente é linear. Houve euforias exageradas e desilusões injustas. O que mudou na última década é que a tecnologia passou a ser útil no dia a dia de pessoas e organizações, sobretudo quando combinada com a informação certa e com supervisão humana.

Na Datapoint, acreditamos que o maior valor da IA está em ligá-la, com segurança, aos sistemas e documentos que as organizações já usam, mantendo as pessoas a aprovar o que é importante e o processamento dentro da União Europeia, através dos nossos parceiros.

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